Carnaval e coisa e tal...



Quando descubro algo assim nessa época de carnaval, sou levado a refletir sobre o embrutecimento do espírito daqueles que deixaram de apreciar a boa música. As sutilezas por trás de um belo arranjo, as surpresas melódicas, o arrepio que advém da descoberta de novos sentidos em seus insights. É musica assim que inspira, comove e arrebata. Pensar em como o gosto decaiu, é triste, pois eu só posso chegar a conclusão de que isso é fruto da calistenia da alma a que somos submetidos diariamente. Hoje vemos fazer sucesso músicas de batidas repetitivas, pobres e até irritantes para alguns menos calejados. E isso tem sua razão de ser no fato de que a sociedade está olhando mais e mais para fora, esquecendo ou ignorando sua humanidade para se concentrar em letras que retratam a mediocridade de um povo que cada vez mais está buscando saciar apenas instintos primitivos com: sexo, bebida e uma alegria efêmera que nada tem a ver com felicidade. Não pense que esse embrutecimento espiritual não tem consequências para o futuro, pois é nela que reside o potencial virulento da violência que não mais surpreende ninguém. Percebam que na perda de contato com o "eu" interno, nos distanciamos do "eu" de todos e o resultado é que somos parasitas de nossa própria espécie e do planeta. Pare um pouco e conte quantas vezes você tem olhado para dentro, reflita e se pergunte se seu espírito tem sido tocado ultimamente, será que ele ainda está acessível à beleza ou ao próximo?

Quem sabe um dia o texto ganhe algum adendo ou seguimento...

Esculhambem-me se lhes apetece...

Milton Lavôr

Probabilidade estatística das escolhas

Eu estava pensando sobre o que seria sensato fazer em determinadas situações devido a um problema enfrentado por alguém próximo a mim. Pensei no que seria mais sensato dizer, porém me vi num dilema moral, intelectual e espiritual. Se por um lado o mais sensato é o que comumente é feito e adotado como padrão leva ao caminho menos tortuoso e provavelmente com bem menos percalços, o contrário é tipo como o caminho da loucura que leva ao abismo. Mas se pararmos para pensar o caminho da sensatez nos leva ao previsível e medíocre final de todos e isso é chato. Normalmente ninguém aconselha você a pedir demissão de um bom emprego por um sonho insólito e geralmente é o correto pois estatisticamente os sonhos não se tornam realidade.
Matematicamente o melhor seria fazer tudo correto, previsível, fácil, sensato e isso vai levar você com 98% de chance a um caminho com poucos percalços e vida tranquila ou não, já que o caminho considerado sensato depende do contexto social de cada um. Quero isso bem claro para vocês entendam meu raciocínio:

O caminho da sensatez num ambiente onde as pessoas só tem acesso ao trabalho rural será o trabalho rural. Digo isso para que entenda-se sensatez como a facilidade de optarmos pelo mais lógico que é o caminho fácil que vai levar você quase que certamente a mediocridade seja ela algo bom ou ruim.

 Logo podemos dizer que 98% das pessoas acabam por seguir o caminho da sensatez que leva ao comum, sendo guiados pelas suas chances e oportunidades no decorrer de suas vidas dentro do seu contexto social. Porém vale falar dos 2%, já que esses fazem o novo, o notável, o extraordinário, esses tem a mesma probabilidade de 98% só que esta é contra eles e isso faz com que 98% desses 2% não consigam nada sendo seus fracassos muitas vezes monumentais sirvam de exemplo para os demais, desencorajando e ratificando as escolhas fáceis da sensatez. Porém os poucos que acertam são eternos na história, pois mudam o mundo, inspiram pessoas desacreditando a matemática por um momento e tornam os sonhos uma alternativa válida. Muitos perderam a vida tentando compor uma grande sinfonia pagando o preço mais alto pela chance de serem imortais, mas Beethoven conseguiu. Logo, considerando tudo, como proceder diante da vida será que é correto a tentativa de relegar alguém a mediocridade? É justo obscurecer a chance de ser eterno de alguém? Ninguém realmente sabe quais os melhores caminhos para si, mas sabem apontar perfeitamente o caminho para os outros e isso é no mínimo hipocrisia. Acho que o melhor é dizer que os dois são válidos e tentar ensinar um pouco sobre probabilidade.

Esculhambem-me se lhes apetece,

Milton Lavôr