Mercadores de ilusão




Eu sinto em mim e me vejo absorto
Percebo-me, pois não sinto mais,
Vendo minha vida, será que estou morto?
E vendo a vida em busca de paz.
Se vivo vendendo a alma escondida,
Qual sopro de vida me obriga a nascer?
Os meios que calham viver a vida,
O quanto de vida ainda posso vender?
Vender-se e comprar um pouco de vida
Quem foi que disse que posso escolher?






Estava pensando na vida que vendo para viver, e se vivo de verdade por vender a vida ou se a vida é minha mesmo. O sistema que torna fácil a comercialização das pessoas é realmente o melhor para todos? Fazemos bom negócio, quando negociamos pedaços de nós? Quantas parte você ainda tem?

Esculhambem-me se lhes apetece...


Milton Lavôr

Carnaval e coisa e tal...



Quando descubro algo assim nessa época de carnaval, sou levado a refletir sobre o embrutecimento do espírito daqueles que deixaram de apreciar a boa música. As sutilezas por trás de um belo arranjo, as surpresas melódicas, o arrepio que advém da descoberta de novos sentidos em seus insights. É musica assim que inspira, comove e arrebata. Pensar em como o gosto decaiu, é triste, pois eu só posso chegar a conclusão de que isso é fruto da calistenia da alma a que somos submetidos diariamente. Hoje vemos fazer sucesso músicas de batidas repetitivas, pobres e até irritantes para alguns menos calejados. E isso tem sua razão de ser no fato de que a sociedade está olhando mais e mais para fora, esquecendo ou ignorando sua humanidade para se concentrar em letras que retratam a mediocridade de um povo que cada vez mais está buscando saciar apenas instintos primitivos com: sexo, bebida e uma alegria efêmera que nada tem a ver com felicidade. Não pense que esse embrutecimento espiritual não tem consequências para o futuro, pois é nela que reside o potencial virulento da violência que não mais surpreende ninguém. Percebam que na perda de contato com o "eu" interno, nos distanciamos do "eu" de todos e o resultado é que somos parasitas de nossa própria espécie e do planeta. Pare um pouco e conte quantas vezes você tem olhado para dentro, reflita e se pergunte se seu espírito tem sido tocado ultimamente, será que ele ainda está acessível à beleza ou ao próximo?

Quem sabe um dia o texto ganhe algum adendo ou seguimento...

Esculhambem-me se lhes apetece...

Milton Lavôr